Guia · Sudeste do Brasil

Pesca submarina no Sudeste do Brasil

O Sudeste concentra boa parte da pesca submarina brasileira: do recife de arenito do sul da Bahia aos arquipélagos paulistas, com as ilhas capixabas e a ressurgência da Região dos Lagos no meio. É também o trecho com mais água fechada por ato.

Três coisas antes de seguir: a licença federal é obrigatória sempre, inclusive entrando pela praia; a caça é só em apneia; e a cobertura do levantamento de zonas é parcial — fora das zonas conhecidas as regras não estão confirmadas.

Abrir o destaque — Arraial do Cabo →

Época, água e visibilidade

O sul da Bahia é água quente o ano todo, 25–29 °C, sobre recife de arenito raso; a mesomaré (~2,3 m) mexe a visibilidade e a pluma dos rios fecha a água depois da chuva — melhor na estação seca. De Ilhéus para o sul começam o costão de granito e a micromaré (~1,3 m): ali manda o vento e a ondulação de leste/sudeste.

O Espírito Santo dá 22–27 °C e 8–18 m de visibilidade, com 20–25 m nas ilhas ao largo de Guarapari (~6 milhas); melhor de dezembro a abril. No Rio manda a ressurgência da Região dos Lagos: com vento NE sobe água fria e limpa — 16–24 °C, até 14 °C no verão em Arraial do Cabo — e a visibilidade passa de 15 m, melhor de abril a outubro; o vento SW desliga. Em São Paulo, 20–26 °C, ~20 m no verão e ~10 m no inverno.

Cidades e tipos de spot

Quatro famílias de spot. Recife de arenito com entrada pela praia: Porto Seguro, Prado, Santa Cruz Cabrália, Praia do Forte. Costão de granito: Ilhéus, Itacaré, Maraú, Niterói, Maricá, Caraguatatuba, Guarujá. Ilhas e lajes ao largo, ponto de barco: Guarapari (Escalvada, Rasa), Cabo Frio (Laje do Peró, Ilha do Breu), Búzios, Ubatuba (Couves), Ilhabela (Búzios e Vitória). E naufrágios: Victory 8B em Guarapari (18–36 m). Peixe repetido nas fichas: garoupa, badejo, robalo, olho-de-boi, olhete, sargo, dourado e polvo.

Licença e regras federais

A licença amadora do RGP é obrigatória sempre, inclusive entrando pela praia: o Decreto nº 8.425/2015, art. 3º §1º II dispensa do registro apenas quem pesca «com linha de mão ou caniço simples», e a espingarda de mergulho não está nessa exceção. Duas categorias conforme se use embarcação; um ano no máximo (art. 8º §4º).

A Portaria SAP/MAPA nº 616/2022 põe o resto: o art. 4º IV permite «espingarda de mergulho ou arbalete com qualquer tipo de propulsão e qualquer tipo de seta», o §3º deixa a atividade só em apneia, e o art. 8º fixa 15 kg mais um exemplar por pessoa no mar — um piso, regimes locais podem ser mais estritos. O art. 2º submete o amador aos defesos, aos tamanhos e às áreas interditadas.

Defesos por espécie e a lista de 2026

O defeso é a espécie, não o lugar: dentro da janela você não leva aquele peixe, e qualquer outro legal na mesma água continua legal. Em 28 de abril de 2026 a Portaria GM/MMA nº 1.667/2026 publicou a nova Lista Nacional Oficial e revogou a Portaria MMA nº 445/2014; a Portaria GM/MMA nº 1.666/2026 pôs sob proteção integral as categorias EW/CR/EN e VU, e o peroá e o badejo-mira fecham em 25 de outubro de 2026 (art. 12, 180 dias). A lagosta, mergulhando, está fechada o ano inteiro — Portaria SAP/MAPA nº 221/2021, art. 6º III.

Zonas fechadas, estado a estado

O Rio de Janeiro é o estado mais fechado. A RESEX Marinha do Arraial do Cabo só permite a caça amadora ao «Beneficiário C» autorizado pelo ICMBio (Portaria ICMBio nº 895/2020, §69) — na prática, fechada ao visitante. A ESEC de Tamoios, com o seu anel de 1 km, fecha parte da baía da Ilha Grande; as Ilhas Cagarras e o Pão de Açúcar são no-take pela Lei nº 9.985/2000; o Parque Estadual da Costa do Sol (Decreto RJ nº 42.929/2011) alcança a Laje do Peró. A Resolução SSP-RJ nº 0451/1981 fecha 200 m da arrebentação em praia com banhistas (art. 4º V) e permite os costões sem banhistas (art. 2º item 5) — texto consolidado, vigência em 2026 não confirmada.

No Espírito Santo, o Arquipélago das Três Ilhas (APA de Setiba) está fechado: a IN IEMA nº 04/2016 proíbe «Caça e pesca subaquática … com a utilização de arpões, arbaletes, tridentes» e o IEMA apreende equipamento; fecham também o Parque Estadual Paulo César Vinha e, em Vitória, o Lameirão e Jacarenema. A Portaria nº 7/CPES de 05/02/2025 fecha o canal Morro da Pescaria–Ilha da Raposa à navegação, não à pesca. Em São Paulo: Ilha Anchieta, Laje de Santos, Xixová-Japuí, zonas da APA Marinha do Litoral Norte (Decreto SP nº 66.823/2022) e CEBIMar/USP (Portaria IBAMA 1.132/1989). Na Bahia: Abrolhos e o Recife de Fora são no-take, a RESEX do Corumbau fecha o mergulho com captura a não beneficiários (item 15), a Lei de Salvador nº 9.774/2023 fecha 500 m da Ilha dos Frades e a NPCP-BA fecha a «raia magnética» de Itaparica.

Segurança, tráfego e acesso

O frio é o risco próprio do trecho: com a ressurgência a água pode cair a 14 °C em pleno verão e a termoclina chega de vez — roupa adequada e saída curta. As ilhas ao largo têm correntes fortes e pedem barco de apoio e boia; na costa aberta manda a ondulação de sul — mergulhe só com mar pequeno.

O outro risco é o tráfego: o porto de Santos, Ubu em Anchieta, a zona portuária de Macaé, o canal de São Sebastião e as escunas de Angra e Paraty — boia bem visível sempre. As águas de baía (Guanabara, o lado interno de Todos-os-Santos) são turvas ou poluídas: cace na face oceânica. Recife e costões, pela praia; ilhas e lajes ao largo, de barco.

Onde mergulhar, por região

Litoral Paulista

O litoral paulista (Ubatuba, Ilhabela, Guarujá) — água quente e canais de ilhas abrigados, mais claros nos meses secos de inverno.

  • UbatubaLitoral norte paulista com dezenas de ilhas e costões — arquipélagos das Couves, Comprida e Rapada dão paredes e lajes de 3 a 25 m com água clara.
  • São SebastiãoCanal de São Sebastião, em frente a Ilhabela: costões de granito de Maresias, Toque-Toque e Boiçucanga com garoupa, badejo e robalo.
  • IlhabelaArquipélago-referência da caça submarina paulista: 30+ pontos entre a ilha grande e as Ilhas de Búzios e Vitória, com paredes de 8 a 40 m e água clara.
  • CaraguatatubaBaía ampla do litoral norte, entre Ubatuba e São Sebastião; a caça está nos costões de Martim de Sá, Tabatinga e na Ilha do Tamanduá.
  • GuarujáCostões de granito da Baixada Santista — Astúrias, Pitangueiras e as praias externas de Pernambuco e Perequê.
  • SantosCidade portuária na saída do estuário de Santos: a orla urbana é escura e turva quase o ano todo, e em 27/08/2026 a CETESB reprovou 7 de 7 pontos de balneabilidade da orla.

Costa Fluminense

O litoral do Rio de Janeiro, ancorado em Arraial do Cabo — uma janela de upwelling de água fria e cristalina quase todo o ano.

  • ParatyCosta Verde histórica com 65+ ilhas na Baía da Ilha Grande; costões e lajes com garoupa, badejo, cherne e robalo, mas visibilidade modesta (4–10 m) por ser baía fechada e chuvosa.
  • Angra dos ReisBerço da caça submarina brasileira (1º campeonato em 1952), com 365 ilhas na Baía da Ilha Grande; costões com garoupa, badejo, cherne e olhete.
  • MangaratibaEntrada norte da Baía da Ilha Grande, com costões e ilhas em Ibicuí e Muriqui; garoupa, badejo, robalo e olhete.
  • NiteróiCostões oceânicos de Itaipu, Itacoatiara e Piratininga, além das Ilhas Tijucas ao largo, com água surpreendentemente clara para a região metropolitana.
  • Rio de JaneiroDo lado oceânico da cidade — Barra, Recreio e as Ilhas Tijucas ao largo (costões surpreendentemente claros).
  • SaquaremaMeca do surfe fluminense com costão na Ponta de Itaúna e borda oeste da ressurgência da Região dos Lagos — em dias de vento NE a água esfria e clareia.
  • Arraial do CaboO epicentro da ressurgência brasileira: vento NE empurra a água quente e sobe água fria (até 14 °C no verão) de ~350 m, dando visibilidade que passa de 15 m e chega a 40 m no ideal — a melhor água do Sudeste, melhor de abr a out.
  • Cabo FrioCoração caçável da ressurgência da Região dos Lagos: com vento NE a água fria e clara sobe e a visibilidade passa de 15 m, melhor de abr a out.
  • Armação dos BúziosBorda norte da ressurgência da Região dos Lagos: a península de Búzios pega o upwelling com vento NE (água mais fria e clara na face leste/sul) e fica abrigada na face norte.
  • Rio das OstrasLitoral norte fluminense entre a Região dos Lagos e Macaé, com costões na Costa Azul, Praia do Centro e Ilha do Cabo.
  • MacaéCidade do petróleo do norte fluminense, com costão na Praia dos Cavaleiros e a Ilha do Farol / Ilha de Santana ao largo, onde a água clareia.
  • MaricáSessenta quilómetros separavam Niterói de Saquarema no atlas, e Maricá é o meio: o costão do farol de Ponta Negra é o único costão oceânico entre Itacoatiara e Saquarema, e o arquipélago das ilhas Maricás fica a 4–9 km da costa.

Litoral Capixaba

O litoral capixaba (Guarapari, Vitória) — recifes e naufrágios quentes, melhores no verão seco longe da pluma do Rio Doce.

  • AracruzLitoral norte capixaba com costões e recifes em Barra do Sahy, Santa Cruz e Coqueiral; garoupa, badejo, sargo, dourado e robalo.
  • VitóriaCapital capixaba com costões em Camburi, Curva da Jurema e as ilhas do canal (Ilha do Frade, Ilha do Boi).
  • Vila VelhaAo sul de Vitória, com costões na Praia da Costa, Ponta da Fruta e as ilhas ao largo; berço de clubes de caça submarina capixabas (Marsol, desde 1985).
  • GuarapariA melhor água do Brasil para caça: as ilhas Escalvada e Rasa, a 6 milhas da costa, dão visibilidade de 20–25 m e a maior biodiversidade marinha do país.
  • AnchietaAo sul de Guarapari, com costões e ilhas em Castelhanos, Ubu e Iriri; água clara semelhante à de Guarapari, visibilidade 10–20 m, 22–27 °C.
  • PiúmaVila de pescadores ao sul do Espírito Santo, dominada pelo Monte Aghá e com as ilhas do Gambá e dos Cabritos ao largo.
  • ItapemirimItaoca e Itaipava têm costão e lajes com entrada de costa, e a ilha mais mergulhada deste trecho — a ilha dos Franceses — é administrativamente daqui, não de Piúma.

Litoral Baiano

A costa da Bahia (Ilhéus, Itacaré, Morro de São Paulo) — recifes tropicais quentes, mais claros na primavera–verão seca.

  • CaravelasCaravelas é a porta de entrada do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o recife mais famoso do Brasil — mas ⚠️ dentro do parque (a ~70 km da costa) a pesca submarina é TOTALMENTE proibida (no-take): serve só de zona-info.
  • PradoPrado, no extremo sul da Bahia, alterna falésias coloridas, recifes de arenito e areia — mergulho de costa 5–12 m sobre os recifes, água morna 25–28 °C.
  • Porto SeguroPorto Seguro é recife de arenito clássico do sul baiano: linhas de recife paralelas à praia formando piscinas e canais, mergulho raso 4–10 m de costa, água quente 26–29 °C.
  • Santa Cruz CabráliaSanta Cruz Cabrália, vizinha ao norte de Porto Seguro, tem a Coroa Vermelha e recifes de arenito rasos que secam na baixa-mar — mergulho de costa 4–10 m, água morna 26–29 °C.
  • IlhéusIlhéus marca o início do costão de granito do sul baiano: pedras, lajes e recifes, mergulho de costa 3–12 m, água quente 25–29 °C, visibilidade 6–15 m.
  • ItacaréItacaré é costão de granito entre matas e praias de tombo — pedras e lajes com mergulho de costa 3–12 m, água quente 25–29 °C, visibilidade 6–12 m.
  • MaraúA Península de Maraú (Barra Grande, Ponta do Mutá) fecha o costão de granito do sul baiano — pedras, lajes e recifes, mergulho de costa 3–15 m, água quente 26–29 °C, visibilidade 6–15 m nos dias limpos.
  • Cairu (Morro de São Paulo)Cairu / Morro de São Paulo, no arquipélago de Tinharé, mistura recifes de coral e areia — mergulho raso 3–12 m, água quente 26–29 °C.
  • SalvadorEm Salvador a caça fica na face oceânica (Farol da Barra → Itapuã), com costão e recifes de 5–12 m de costa, água quente 25–29 °C.
  • Mata de São João (Praia do Forte)Praia do Forte (Mata de São João), na Costa dos Coqueiros ao norte de Salvador, tem recifes de arenito que formam piscinas na baixa-mar — mergulho raso 5–12 m de costa, água quente 26–29 °C.
  • Camaçari (Guarajuba)Guarajuba e Itacimirim fecham o buraco de 60 km entre a Praia do Forte e Salvador: recife de arenito com piscinas naturais de 0,4 a 5 m, batismos de mergulho e um vídeo de pesca submarina em apneia em Guarajuba.
  • Vera Cruz (Ilha de Itaparica)O lado oceânico da ilha de Itaparica, de Ponta de Areia a Cacha Pregos, é costão e recife — e até agora a ilha inteira não tinha cidade no atlas.
  • TrancosoTrancoso, Espelho e Caraíva enchem os 95 km entre Porto Seguro e Prado: recife de arenito e costão, com os recifes Sofia e de Pitiaçu nomeados na carta.
  • AlcobaçaAlcobaça fecha os 30 km entre Prado e Caravelas e tem prova forte: um dos vídeos de pesca sub mais vistos da Bahia foi filmado aqui, por equipa local.
  • Nova ViçosaA porta histórica da pesca submarina do extremo sul da Bahia: expedições documentadas de 2011 a 2023, uma delas a dizer expressamente que se pescou nos parcéis de Abrolhos em «área permitida», ou seja, fora do parque.
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Perguntas frequentes

Regras atuais em 2026 — confirma sempre com o ICMBio/IBAMA e a autoridade local antes de ir. Pesca submarina recreativa só em apneia (sem escafandro); espécies protegidas como o mero são totalmente proibidas, e as APAs marinhas e parques nacionais fixam as suas zonas de defeso.

Preciso de licença entrando pela praia?

Sim. O Decreto nº 8.425/2015, art. 3º §1º II dispensa do registro apenas quem pesca «com linha de mão ou caniço simples»; a espingarda de mergulho não entra aí, e a licença tem de estar com você na água (Portaria 616/2022, art. 17).

Quando é o defeso da garoupa-verdadeira?

De 1 de novembro a 28 de fevereiro em toda a água brasileira, faixa de 47–73 cm (Portaria SG/MMA nº 41/2018). O defeso é da espécie, não do lugar: qualquer outro peixe legal na mesma água continua legal.

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Posso caçar na RESEX de Arraial do Cabo?

Na prática, não. A Portaria ICMBio nº 895/2020, §69 só permite a caça amadora ao «Beneficiário C» autorizado pelo ICMBio, e o visitante não é. Perto há mais água fechada: a ESEC de Tamoios, com o seu anel de 1 km, e as Ilhas Cagarras, no-take pela Lei nº 9.985/2000.

Fonte oficial ↗