Pesca submarina no Brasil
O Brasil é uma costa quente e imensa com um tesouro frio: a ressurgência da Região dos Lagos, onde Arraial do Cabo e Cabo Frio dão água cristalina quase o ano todo. A pesca submarina é legal em todo o país, mas só em apneia — cilindro, compressor e narguilé estão proibidos na caça por norma federal.
O que é comum a toda a costa é ler a água: o vento, as plumas dos rios (Rio Doce e estuários) e as marés, mais fortes no Sul. Não existe um hardstop sazonal nacional — valem só os defesos por espécie. Este guia explica o direito, percorre a costa do Nordeste a Santa Catarina e entrega você às páginas de cidade, onde a água é calculada para o dia.
Uma data para guardar: em 28 de abril de 2026 a lista nacional de espécies ameaçadas foi trocada por inteiro, e parte dos alvos de sempre fechou. O detalhamento com atos e links está no guia «Regras e leis da pesca submarina no Brasil».
Abrir o destaque — Arraial do Cabo →As regras em resumo
O texto em vigor é a Portaria SAP/MAPA nº 616/2022. O essencial:
- Só apneia. Arbalete/espingarda de mergulho é petrecho permitido (art. 4 IV), mas «aparelhos de respiração artificial» — cilindro, compressor, narguilé — na pesca submarina são PROIBIDOS (art. 4 §3). Mergulho autônomo com arma só para ciência ou foto, sem petrechos de pesca.
- É preciso a Licença de Pesca Amadora, do portal gov.br — para o pescador submarino sempre, inclusive entrando pela praia: o Decreto nº 8.425/2015, art. 3º §1º II dispensa do registro apenas quem pesca «com linha de mão ou caniço simples», e a espingarda de mergulho não está nessa exceção. A categoria é definida pela embarcação, não pelo petrecho: entrando pela praia é «desembarcada» (segundo o portal do MPA, R$ 20/ano), com barco é «embarcada» (R$ 60/ano); a própria Portaria 616/2022 não traz categorias nem valores. Aposentados, homens 65+ e mulheres 60+ são isentos (licença vitalícia). Estrangeiros sem CPF podem emitir desde 2024; para os demais ela vale no máximo um ano (art. 8º §4º, na redação do Decreto nº 12.336/2024). Ande com a licença — art. 17.
- O limite no mar é 15 kg mais um exemplar por pessoa (art. 8º). O pescado é só para consumo próprio: vender é proibido (art. 6º, pu) e transportar em filé ou sem cabeça também (art. 12). Dentro da RESEX Marinha do Arraial do Cabo o limite é mais duro — 10 kg + 1 exemplar.
- Explosivos, venenos e pesca elétrica são proibidos. Não há defeso sazonal nacional da caça; a piracema (1 nov – 28 fev) vale só para espécies de água doce. Já os defesos por espécie prendem o amador — o art. 2º IV e VI remete à tabela consolidada do IBAMA.
- Lagosta e polvo não são a sua captura, e por um motivo formal: a lista de petrechos do amador no art. 4º é FECHADA, e coleta com as mãos não está nela. A lagosta ainda por cima vive em regime de pesca comercial, com defeso próprio (01/11–30/04 do Amapá à divisa ES/RJ).
A ressurgência da Região dos Lagos — o coração frio
Em Cabo Frio a costa vira e o alísio empurra a água quente da superfície para o largo — de baixo sobe água fria e clara (ressurgência). Arraial do Cabo e Cabo Frio recebem água de 16–20 °C e uma visibilidade única no Sudeste. Funciona com vento NE e desmonta em SW prolongado.
Nuance legal importante: o próprio Arraial do Cabo é uma RESEX Marinha. A pesca submarina amadora ali é permitida SÓ a beneficiários locais «Categoria C» com autorização do ICMBio (Acordo de Gestão, §69) — para quem vem de fora, na prática, é proibição. Mergulhe ali pela água, mas sem arbalete, e planeje a caça a partir de Cabo Frio, Búzios e Macaé.
Espécies, tamanhos e defeso
Em 28 de abril de 2026 a Portaria GM/MMA nº 1.667/2026 substituiu a lista nacional de espécies ameaçadas e revogou a Portaria MMA nº 445/2014; e a Portaria GM/MMA nº 1.666/2026 (art. 3º) colocou sob proteção integral as categorias EW/CR/EN e VU. O efeito prático é direto: a lista do «não pode» cresceu, e parte dos alvos de sempre saiu dela para valer.
Proibição absoluta — mero (Epinephelus itajara): status CR, captura, guarda e transporte fechados o ano todo, multa até R$ 100 000 mais apreensão do equipamento. A garoupa-verdadeira (E. marginatus) é VU, mas tem Plano de Recuperação e ordenamento, então as regras dela estão em revisão pelo art. 11 — até sair o resultado, a resposta correta é «as regras estão em revisão», não «pode». Os budiões não são alvo em hipótese alguma: a Portaria Interministerial nº 63/2018, art. 4º pu proíbe expressamente «a pesca amadora» deles.
| Espécie | Tamanho / status |
|---|---|
| Mero (goliaf) | no-take, o ano todo |
| Sirigado, badejo-amarelo, garoupa-de-São-Tomé, caranha | na lista 1.667/2026 — no-take |
| Peroá / cangulo, badejo-mira | proibidos a partir de 25/10/2026 (transição, art. 12) |
| Garoupa-verdadeira | VU: regras em revisão; ordenamento anterior — 47–73 cm, defeso 1 nov–28 fev |
| Budiões (Scarus / Sparisoma) | pesca amadora proibida (Port. Interm. 63/2018) |
| Robalo-flecha / robalo-peva | 50 / 30 cm no SE e S; defeso por estado (ES, BA) |
| Anchova | 35 cm; defeso 1 dez–31 mar em PR, SC, RS |
| Tubarões e raias | não atire, ponto — sob o art. 3º |
| Olho-de-boi, dourado, xaréu | sem tamanho nac. no SE/S |
Onde não se pode — zonas de no-take
Dentro de todas as zonas federais de «proteção integral» a caça é totalmente proibida. Fique longe de: REBIO Marinha do Arvoredo (colada a Florianópolis e Bombinhas!), PE Marinho da Laje de Santos (Santos/Guarujá), ESEC Tamoios (Angra dos Reis), REVIS de Alcatrazes (São Sebastião) e dos parques marinhos de Abrolhos e Fernando de Noronha.
Nas unidades de «uso sustentável» quem manda não é o nome da unidade, e sim o ZONEAMENTO. Três exemplos com a norma lida: na APA Costa dos Corais (AL/PE) estão fechadas a ZUCO, a ZPRE e a ZUMO, e a ZPRO está liberada; na APA Marinha do Litoral Norte (SP) a pesca amadora não consta do rol permitido da Z1M e aparece expressamente na Z2M e na Z2ME; a RESEX Marinha do Arraial do Cabo, para quem vem de fora, está fechada por inteiro. A camada estadual também é real: em Santa Catarina a norma fecha a faixa de 50 m ao longo das praias e os primeiros 50 m dos costões adjacentes.
Segurança
Nunca mergulhe sozinho — companheiro em cada mergulho é obrigatório contra o blackout. No Nordeste, sobretudo em Recife (Boa Viagem), o risco de tubarão é real: Pernambuco é conhecida por ataques; ali não cace perto da costa nem mantenha o peixe no cabo junto ao corpo. No Sudeste e no Sul o perigo é outro — correnteza e tráfego de embarcações: boia com bandeira é obrigatória e, nas baías de Angra e Ilhabela, fique longe dos canais.
Onde mergulhar, por região
Litoral Sul
O sul subtropical do Brasil (Santa Catarina, Rio Grande do Sul) — água mais fresca, pontas rochosas e ilhas que abrem nas calmarias de verão.
- Torres — Único costão de basalto do Rio Grande do Sul: os paredões do Parque da Guarita e a Praia da Cal dão entradas de costa que o resto do litoral gaúcho — puro areão e água barrenta — não tem.
- São Francisco do Sul — Ilha no extremo norte de Santa Catarina com costões de granito e enseadas na Praia da Enseada e Praia Grande.
- Balneário Camboriú — Cidade vertical do litoral catarinense; a caça acontece nos costões das praias agrestes ao sul — Laranjeiras, Taquaras, Taquarinhas, Praia do Pinho — longe da orla urbana turva.
- Bombinhas — Capital catarinense do mergulho: península de granito com água cristalina, costões e enseadas abrigadas em Bombas, Sepultura, Mariscal e Canto Grande.
- Porto Belo — Enseada abrigada ao norte da península de Bombinhas, com costões de granito e a Ilha de Porto Belo à frente.
- Governador Celso Ramos — Península de costões de granito ao norte de Florianópolis, com enseadas de Palmas, Ganchos e Armação da Piedade.
- Florianópolis — A ilha de Santa Catarina é o coração da caça submarina do sul: costões nas praias do leste (Mole, Galheta, Lagoinha do Leste) e a Ilha do Xavier em frente à Praia Mole, um dos pontos mais citados, 5–18 m.
- Garopaba — Vila de pescadores e surfe ao sul de Florianópolis, com costões de granito na Silveira, Ferrugem e Praia do Ouvidor.
- Imbituba — Porto e capital baleeira histórica ao sul de Garopaba; a caça é nos costões da Praia do Rosa, Ibiraquera e Vila.
- Laguna — Ponta rochosa mais ao sul de Santa Catarina, no Cabo de Santa Marta e Farol de Santa Marta — fronteira da convergência subtropical com upwelling sazonal fraco que às vezes clareia e esfria a água.
- Balneário Barra do Sul — É a única base de saída para as ilhas exteriores do norte catarinense: ilha Feia, ilha das Araras, ilha do Monteiro e o arquipélago dos Tamboretes, a cerca de 11 km.
- Barra Velha — Cidade de costão a sério: Costão dos Náufragos, Costão do Grant, Pedras Brancas e Negras — tudo com entrada de costa — e as ilhas Itacolomi a uns 6 km.
- Penha — Península cheia de costões — São Roque, Praia Vermelha, Poá, Paciência — mais a ilha Feia a 4 km, a única ilha do município.
- Itapema — Itapema fecha os 18 km entre Balneário Camboriú e Porto Belo.
- Palhoça (Pinheira / Guarda do Embaú) — O ponto da cidade está na Praia da Pinheira, a frente marítima real do município — a sede fica no fundo da Baía Sul, em água turva.
- Itajaí — Cidade portuária na barra do rio Itajaí-Açu: a pluma do rio e o tráfego do porto deixam a água do norte do município turva — mergulhadores que desceram no naufrágio do Pallas, dentro do canal, relataram forte correnteza e visibilidade zero.
Litoral Paulista
O litoral paulista (Ubatuba, Ilhabela, Guarujá) — água quente e canais de ilhas abrigados, mais claros nos meses secos de inverno.
- Ubatuba — Litoral norte paulista com dezenas de ilhas e costões — arquipélagos das Couves, Comprida e Rapada dão paredes e lajes de 3 a 25 m com água clara.
- São Sebastião — Canal de São Sebastião, em frente a Ilhabela: costões de granito de Maresias, Toque-Toque e Boiçucanga com garoupa, badejo e robalo.
- Ilhabela — Arquipélago-referência da caça submarina paulista: 30+ pontos entre a ilha grande e as Ilhas de Búzios e Vitória, com paredes de 8 a 40 m e água clara.
- Caraguatatuba — Baía ampla do litoral norte, entre Ubatuba e São Sebastião; a caça está nos costões de Martim de Sá, Tabatinga e na Ilha do Tamanduá.
- Guarujá — Costões de granito da Baixada Santista — Astúrias, Pitangueiras e as praias externas de Pernambuco e Perequê.
- Santos — Cidade portuária na saída do estuário de Santos: a orla urbana é escura e turva quase o ano todo, e em 27/08/2026 a CETESB reprovou 7 de 7 pontos de balneabilidade da orla.
Costa Fluminense
O litoral do Rio de Janeiro, ancorado em Arraial do Cabo — uma janela de upwelling de água fria e cristalina quase todo o ano.
- Paraty — Costa Verde histórica com 65+ ilhas na Baía da Ilha Grande; costões e lajes com garoupa, badejo, cherne e robalo, mas visibilidade modesta (4–10 m) por ser baía fechada e chuvosa.
- Angra dos Reis — Berço da caça submarina brasileira (1º campeonato em 1952), com 365 ilhas na Baía da Ilha Grande; costões com garoupa, badejo, cherne e olhete.
- Mangaratiba — Entrada norte da Baía da Ilha Grande, com costões e ilhas em Ibicuí e Muriqui; garoupa, badejo, robalo e olhete.
- Niterói — Costões oceânicos de Itaipu, Itacoatiara e Piratininga, além das Ilhas Tijucas ao largo, com água surpreendentemente clara para a região metropolitana.
- Rio de Janeiro — Do lado oceânico da cidade — Barra, Recreio e as Ilhas Tijucas ao largo (costões surpreendentemente claros).
- Saquarema — Meca do surfe fluminense com costão na Ponta de Itaúna e borda oeste da ressurgência da Região dos Lagos — em dias de vento NE a água esfria e clareia.
- Arraial do Cabo — O epicentro da ressurgência brasileira: vento NE empurra a água quente e sobe água fria (até 14 °C no verão) de ~350 m, dando visibilidade que passa de 15 m e chega a 40 m no ideal — a melhor água do Sudeste, melhor de abr a out.
- Cabo Frio — Coração caçável da ressurgência da Região dos Lagos: com vento NE a água fria e clara sobe e a visibilidade passa de 15 m, melhor de abr a out.
- Armação dos Búzios — Borda norte da ressurgência da Região dos Lagos: a península de Búzios pega o upwelling com vento NE (água mais fria e clara na face leste/sul) e fica abrigada na face norte.
- Rio das Ostras — Litoral norte fluminense entre a Região dos Lagos e Macaé, com costões na Costa Azul, Praia do Centro e Ilha do Cabo.
- Macaé — Cidade do petróleo do norte fluminense, com costão na Praia dos Cavaleiros e a Ilha do Farol / Ilha de Santana ao largo, onde a água clareia.
- Maricá — Sessenta quilómetros separavam Niterói de Saquarema no atlas, e Maricá é o meio: o costão do farol de Ponta Negra é o único costão oceânico entre Itacoatiara e Saquarema, e o arquipélago das ilhas Maricás fica a 4–9 km da costa.
Litoral Capixaba
O litoral capixaba (Guarapari, Vitória) — recifes e naufrágios quentes, melhores no verão seco longe da pluma do Rio Doce.
- Aracruz — Litoral norte capixaba com costões e recifes em Barra do Sahy, Santa Cruz e Coqueiral; garoupa, badejo, sargo, dourado e robalo.
- Vitória — Capital capixaba com costões em Camburi, Curva da Jurema e as ilhas do canal (Ilha do Frade, Ilha do Boi).
- Vila Velha — Ao sul de Vitória, com costões na Praia da Costa, Ponta da Fruta e as ilhas ao largo; berço de clubes de caça submarina capixabas (Marsol, desde 1985).
- Guarapari — A melhor água do Brasil para caça: as ilhas Escalvada e Rasa, a 6 milhas da costa, dão visibilidade de 20–25 m e a maior biodiversidade marinha do país.
- Anchieta — Ao sul de Guarapari, com costões e ilhas em Castelhanos, Ubu e Iriri; água clara semelhante à de Guarapari, visibilidade 10–20 m, 22–27 °C.
- Piúma — Vila de pescadores ao sul do Espírito Santo, dominada pelo Monte Aghá e com as ilhas do Gambá e dos Cabritos ao largo.
- Itapemirim — Itaoca e Itaipava têm costão e lajes com entrada de costa, e a ilha mais mergulhada deste trecho — a ilha dos Franceses — é administrativamente daqui, não de Piúma.
Litoral Baiano
A costa da Bahia (Ilhéus, Itacaré, Morro de São Paulo) — recifes tropicais quentes, mais claros na primavera–verão seca.
- Caravelas — Caravelas é a porta de entrada do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o recife mais famoso do Brasil — mas ⚠️ dentro do parque (a ~70 km da costa) a pesca submarina é TOTALMENTE proibida (no-take): serve só de zona-info.
- Prado — Prado, no extremo sul da Bahia, alterna falésias coloridas, recifes de arenito e areia — mergulho de costa 5–12 m sobre os recifes, água morna 25–28 °C.
- Porto Seguro — Porto Seguro é recife de arenito clássico do sul baiano: linhas de recife paralelas à praia formando piscinas e canais, mergulho raso 4–10 m de costa, água quente 26–29 °C.
- Santa Cruz Cabrália — Santa Cruz Cabrália, vizinha ao norte de Porto Seguro, tem a Coroa Vermelha e recifes de arenito rasos que secam na baixa-mar — mergulho de costa 4–10 m, água morna 26–29 °C.
- Ilhéus — Ilhéus marca o início do costão de granito do sul baiano: pedras, lajes e recifes, mergulho de costa 3–12 m, água quente 25–29 °C, visibilidade 6–15 m.
- Itacaré — Itacaré é costão de granito entre matas e praias de tombo — pedras e lajes com mergulho de costa 3–12 m, água quente 25–29 °C, visibilidade 6–12 m.
- Maraú — A Península de Maraú (Barra Grande, Ponta do Mutá) fecha o costão de granito do sul baiano — pedras, lajes e recifes, mergulho de costa 3–15 m, água quente 26–29 °C, visibilidade 6–15 m nos dias limpos.
- Cairu (Morro de São Paulo) — Cairu / Morro de São Paulo, no arquipélago de Tinharé, mistura recifes de coral e areia — mergulho raso 3–12 m, água quente 26–29 °C.
- Salvador — Em Salvador a caça fica na face oceânica (Farol da Barra → Itapuã), com costão e recifes de 5–12 m de costa, água quente 25–29 °C.
- Mata de São João (Praia do Forte) — Praia do Forte (Mata de São João), na Costa dos Coqueiros ao norte de Salvador, tem recifes de arenito que formam piscinas na baixa-mar — mergulho raso 5–12 m de costa, água quente 26–29 °C.
- Camaçari (Guarajuba) — Guarajuba e Itacimirim fecham o buraco de 60 km entre a Praia do Forte e Salvador: recife de arenito com piscinas naturais de 0,4 a 5 m, batismos de mergulho e um vídeo de pesca submarina em apneia em Guarajuba.
- Vera Cruz (Ilha de Itaparica) — O lado oceânico da ilha de Itaparica, de Ponta de Areia a Cacha Pregos, é costão e recife — e até agora a ilha inteira não tinha cidade no atlas.
- Trancoso — Trancoso, Espelho e Caraíva enchem os 95 km entre Porto Seguro e Prado: recife de arenito e costão, com os recifes Sofia e de Pitiaçu nomeados na carta.
- Alcobaça — Alcobaça fecha os 30 km entre Prado e Caravelas e tem prova forte: um dos vídeos de pesca sub mais vistos da Bahia foi filmado aqui, por equipa local.
- Nova Viçosa — A porta histórica da pesca submarina do extremo sul da Bahia: expedições documentadas de 2011 a 2023, uma delas a dizer expressamente que se pescou nos parcéis de Abrolhos em «área permitida», ou seja, fora do parque.
Costa dos Corais
A Costa dos Corais de Alagoas–Pernambuco — piscinas de recife quentes e claras dentro de uma APA protegida (atenção aos defesos).
- Cabo de Santo Agostinho — O Cabo de Santo Agostinho, ao sul de Recife, tem a Enseada dos Corais — recifes e costão indicados para pesca submarina, mergulho de costa 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Ipojuca (Porto de Galinhas) — Porto de Galinhas (Ipojuca) é cartão-postal de recifes e piscinas naturais, água quente 27–30 °C — mas ⚠️ as piscinas naturais junto à praia são protegidas e há forte tráfego de jangadas de turismo; a pesca submarina não é permitida ali.
- Maceió — Maceió tem água cristalina de tom verde-piscina e recifes de arenito a poucos metros da praia (Ponta Verde, Riacho Doce), 5–12 m, temperatura 27–30 °C.
- Barra de São Miguel — Barra de São Miguel, ao sul de Maceió, é protegida por uma barreira de recifes que forma a piscina da Praia do Gunga, água quente 27–30 °C.
- João Pessoa — João Pessoa fica no ponto mais oriental das Américas (Ponta do Seixas), com recifes de arenito como Picãozinho e Seixas a poucos metros da praia, 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Cabedelo — Cabedelo, ao norte de João Pessoa, é famosa pelo banco de areia de Areia Vermelha (que emerge na baixa-mar de sizígia) e por recifes e naufrágios ao largo, 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Baía da Traição — Baía da Traição, no litoral norte da Paraíba, tem enseadas abrigadas, recifes de arenito e areia — mergulho de costa 5–12 m, água quente 27–29 °C.
- Ilha de Itamaracá — O lado oceânico de Itamaracá é feito de «curais» — barreiras de arenito que fecham piscinas na maré baixa e viram parede de caça na maré cheia.
- Goiana (Ponta de Pedras) — Ponta de Pedras, a norte da foz do rio Goiana, é costa de recife com um vídeo direto de pescaria sub no topónimo.
- Tamandaré — Tamandaré é dos sítios de pesca sub mais abertos de Pernambuco: seis vídeos e uma página de comunidade local com o nome da vila.
- São José da Coroa Grande — A base de prova mais densa de Pernambuco: sete ou mais vídeos de pesca sub — «barreiras de corais», xaréu de 6 kg, mergulhos até 9 m — e página de comunidade local.
- Conde — Entre João Pessoa e Pitimbu há quarenta quilómetros sem cidade no atlas, e Conde é o meio: falésias, costão em Coqueirinho e os recifes de Jacumã, catalogados a 3–6 m.
- Pitimbu — Praia de Pontinhas é costão rochoso de verdade, e Pitimbu aparece com regularidade num canal de pesca sub com mais de cem mil subscritores, além de equipas locais.
- Maragogi — Maragogi entra no atlas depois de uma revisão: o zoneamento de 2021 mostra que o no-take aqui é só a ZPRE «Pedra do Meio», e o resto é ZPRO, onde a pesca amadora e desportiva é permitida.
- Barra de Santo Antônio — A praia do Carro Quebrado é filmada por equipas de pesca sub, e a barra serve de base para saídas de alto mar.
- Marechal Deodoro (Praia do Francês) — A Praia do Francês tem pedras, locas e pequenos abismos até uns 12 m, descritos em vídeos de pesca sub; a Praia do Saco é a alternativa a sul.
- Coruripe — Nove vídeos de pesca sub descrevem o mesmo: pedras e locas, barracuda, e água transparente na estação certa.
- Recife — Recife é a capital brasileira dos naufrágios para o mergulho contemplativo e um dos piores lugares do país para caçar.
- Olinda — Olinda fica na ponta norte do corredor de ataques de tubarão do Grande Recife: a área de interdição do Decreto Estadual PE nº 21.
Costa Potiguar-Cearense
A costa Potiguar–Cearense (Natal, Fortaleza) — recifes quentes sob alísios constantes; pesca nas manhãs calmas.
- Baía Formosa — Baía Formosa, no extremo sul do Rio Grande do Norte, junta falésias, recifes de arenito e uma enseada abrigada de barco de pesca — mergulho de costa 6–15 m, água quente 26–29 °C.
- Tibau do Sul (Pipa) — Pipa (Tibau do Sul) é falésia colorida, recifes de arenito e a famosa Baía dos Golfinhos — mergulho de costa 6–15 m, água quente 26–29 °C.
- Natal — Natal tem recifes de arenito ao longo da orla (Ponta Negra, Via Costeira) e parrachos ao largo, água quente 27–29 °C, mergulho de costa 6–15 m.
- Touros — Touros marca o canto nordeste do Brasil, onde a costa vira de frente-leste para frente-norte — recifes de arenito extensos e o Cajueiro, mergulho de costa 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Icapuí — Icapuí é o primeiro município do Ceará vindo do RN, com a Ponta Grossa e a Redonda encaixadas entre falésias — recifes de arenito de mergulho raso 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Beberibe (Morro Branco) — Beberibe reúne Morro Branco e Praia das Fontes, com falésias de areia colorida e recifes de arenito — mergulho de costa 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Aquiraz (Porto das Dunas) — Aquiraz (Porto das Dunas, Prainha) fica logo a leste de Fortaleza, com recifes de arenito e areia — mergulho raso 5–12 m de costa, água quente 27–29 °C.
- Fortaleza — Em Fortaleza a caça de costa fica nos recifes de arenito da Praia do Futuro e em pontos fora do porto, 5–12 m, água quente 27–29 °C.
- Paracuru — Paracuru, a oeste de Fortaleza, tem recifes de arenito e a ponta rochosa junto à barra do Rio Curu — mergulho raso 5–12 m de costa, água quente 27–29 °C.
- Trairi (Flecheiras) — Trairi (Flecheiras, Mundaú) tem recifes de arenito que formam piscinas naturais na baixa-mar e água notavelmente clara para o Ceará — mergulho de costa 6–15 m, água quente 27–29 °C.
- Fortim (Pontal de Maceió) — Fortim é a ponta rochosa do Pontal de Maceió: lajes de arenito com entrada de costa junto à barra do rio Jaguaribe, e três naufrágios ao largo — Macau, Cisne Branco e Navio do Sal; o Macau fica entre 10 e 18 m.
- Caucaia (Icaraí / Cumbuco) — Caucaia guarda os recifes de arenito de Iparana e Icaraí, com entrada de costa e uma comunidade de pesca sub que filma o mesmo trecho há seis anos.
- São Gonçalo do Amarante (Taíba / Pecém) — Dez quilómetros de praia da Taíba com recifes de arenito e entrada de costa, mais o Navio do Pecém — cargueiro a vapor torpedeado pelo U-507 em 1943, hoje entre 22 e 34 m, mergulho avançado e de barco.
Litoral Paranaense
O litoral paranaense (Paranaguá, Pontal, Guaratuba, Matinhos) — estuários turvos o ano inteiro e água limpa só nos rochedos do Itacolomi, até 16 m; o parque das Ilhas dos Currais fica na mesma saída de barco e é pesca proibida.
- Paranaguá — Cidade portuária no fundo do estuário, a ~30 km do mar aberto: água salobra, carregada de sedimento, com tráfego pesado de navios e correntes de maré fortes — dentro da baía a visibilidade fica entre 0,3 e 2 m e melhora pouco, mesmo no inverno seco.
- Pontal do Paraná — Balneário de areia contínua, de Pontal do Sul a Praia de Leste: costa reta, sem costão nenhum, arrebentação constante e a pluma turva do estuário de Paranaguá por cima.
- Guaratuba — Cidade na margem sul da desembocadura da Baía de Guaratuba: praia de areia longa, um único costão de verdade (Morro do Cristo) e um punhado de afloramentos rochosos no extremo norte da orla.
- Matinhos — Balneário do litoral do Paraná entre a barra da Baía de Guaratuba (Caiobá) e o Pico de Matinhos: praia de areia com dois costões pequenos e um bloco maior, o Morro do Boi.
Litoral Sergipano
O litoral sergipano (Aracaju, Estância) — recifes rasos entre as fozes do São Francisco e do Real; a visibilidade é honestamente pequena, a janela são os meses secos.
- Aracaju — Aracaju entra por revisão: três vídeos de pesca sub com o topónimo, incluindo as pedras da Coroa do Meio.
- Estância (Praia do Saco) — Praia do Saco: recifes e piscinas de 0,5 a 2 m, com canais até uns 5 m, e dois vídeos de pesca sub filmados no município.
Litoral Oeste Cearense
O litoral oeste cearense (Itarema, Acaraú, Camocim) — recifes de arenito e naufrágios sob alísio constante; a água limpa quando o vento cai.
- Itapipoca (Praia da Baleia) — Praia da Baleia: recifes de arenito com entrada de costa e um recife carteado ao largo.
- Itarema (Almofala) — Almofala e Porto dos Barcos: pesca sub de costa e embarcada documentada em vídeo.
- Acaraú (Arpoeiras / Espraiado) — Caça sub no Espraiado registada desde 2012, e o Petroleiro do Acaraú — naufrágio perigoso carteado a ~6 km da costa — é o alvo da comunidade sub de todo o litoral oeste.
- Camocim (Maceió / Xavier) — Pesca sub de costa documentada em quatro vídeos entre 2017 e 2026 (praia do Maceió e praias de Camocim), incluindo um canal local.
Delta do Parnaíba
O delta do Parnaíba (Parnaíba, Luís Correia, Tutóia) — marés até 3,5 m e água com sedimento; mergulha-se nos «itans» e na Pedra do Sal na estação seca.
- Cajueiro da Praia (Barra Grande) — Barra Grande: pesca de mergulho local documentada (polvo, e um registo de peixe-leão em 2022 por mergulhador da região).
- Luís Correia (Atalaia / Coqueiro) — Atalaia e Coqueiro, com faixas de arenito junto à praia; a pesca sub aqui é do mesmo praticante local ao longo de doze anos (2014→2022), robalo incluído.
- Parnaíba (Pedra do Sal) — A Pedra do Sal é a única formação rochosa a sério do litoral piauiense: um lado bravo, um lado abrigado e poças entre as rochas com budião e garoupa, segundo o guia de pesca local.
- Tutóia — A única exceção provada do Maranhão: um canal local publica uma série de pescarias sub no mar de Tutóia, «pontos fundos, com bastante vida marinha».
Perguntas frequentes
Regras atuais em 2026 — confirma sempre com o ICMBio/IBAMA e a autoridade local antes de ir. Pesca submarina recreativa só em apneia (sem escafandro); espécies protegidas como o mero são totalmente proibidas, e as APAs marinhas e parques nacionais fixam as suas zonas de defeso.
Preciso de licença?
Sim — a Licença de Pesca Amadora, no portal gov.br, sob a Portaria SAP/MAPA nº 616/2022. Ela é obrigatória também entrando pela praia: o Decreto nº 8.425/2015, art. 3º §1º II dispensa do registro apenas quem pesca «com linha de mão ou caniço simples». A categoria é definida pela embarcação, não pelo petrecho: da praia é «desembarcada» (segundo o portal do MPA, R$ 20/ano), com barco é «embarcada» (R$ 60/ano); a própria Portaria 616/2022 não traz categorias nem valores. Aposentados, homens 65+ e mulheres 60+ são isentos. Estrangeiros sem CPF também podem obtê-la; para os demais vale no máximo um ano (art. 8º §4º, na redação do Decreto nº 12.336/2024). Ande com ela — é o que exige o art. 17. O SisRGP é o cadastro de pescadores profissionais e não tem relação com a licença amadora.
Fonte oficial ↗Posso abater um mero?
Não. O mero (Epinephelus itajara) está na lista nacional como CR, e o art. 3º da Portaria GM/MMA nº 1.666/2026 fecha captura, guarda e transporte o ano todo — multa até R$ 100 000 mais apreensão do equipamento, e a Lei nº 9.605/1998 acrescenta a esfera criminal. A garoupa-verdadeira é outra espécie, mas também não está «verde» agora: as regras dela estão em revisão.
Fonte oficial ↗Posso caçar de cilindro?
Não. Só apneia. A Portaria 616/2022 (art. 4 §3) proíbe expressamente aparelhos de respiração artificial na pesca submarina — cilindro, compressor e narguilé. Mergulho autônomo com arma só para ciência ou foto, sem petrechos.
Fonte oficial ↗Quanto peixe posso levar?
No mar são 15 kg mais um exemplar por pessoa (Portaria 616/2022, art. 8º). Vender o pescado é proibido, e transportar em filé ou sem cabeça também. Dentro da RESEX Marinha do Arraial do Cabo vale um limite local mais duro — 10 kg + 1 exemplar e no máximo 100 kg por embarcação por dia.
Fonte oficial ↗Onde há a melhor visibilidade e quando?
A ressurgência da Região dos Lagos (Cabo Frio, Búzios) dá a água mais clara e fria do Sudeste, muitas vezes o ano todo, com vento NE. Guarapari (Espírito Santo) tem a melhor visibilidade quente no verão seco, longe da pluma do Rio Doce. No Nordeste (Natal, Porto de Galinhas) a água é morna o ano inteiro e a visibilidade cai na estação chuvosa. Os números do dia quem calcula é a página da cidade.
Há risco de tubarão?
Na maior parte da costa o risco é baixo, mas em Recife (Pernambuco, praia de Boa Viagem) é real — é uma das zonas com ataques documentados no mundo. Ali não cace perto da costa nem mantenha o peixe no cabo junto ao corpo. No Sudeste e no Sul o problema muito mais frequente é correnteza e embarcação, não tubarão.